Maçã gera 10 mil vagas de trabalho
Trabalho de seleção de frutos nas árvores exige mão-de-obra

A partir de hoje, a região de São Joaquim, que inclui os municípios de Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Rio Rufino, Urubici e Urupema, na Serra Catarinense, entra na época do ano mais forte para a geração de empregos.

É quando começa o raleio nos pomares de maçã. A atividade requer paciência e habilidade, e por exigir muitas mãos ao mesmo tempo, atrai pessoas de todo o Brasil. Mais de 10 mil vagas devem ser abertas até o fim de dezembro, quando o raleio acaba. Dividido em duas fases, o raleio é feito durante o período de frutificação, quando os frutos começam a ser formados.

A primeira etapa consiste em borrifar, sobre os pomares, uma solução química que eliminará o excesso de frutos nas flores. O trabalho, que dura um dia, é feito com tratores. No caso de uma flor que gerou de seis a oito frutos, o raleio químico deixará apenas dois ou três.

Duas semanas depois, chega o momento do raleio manual. Das duas ou três maçãs que sobraram por flor, escolhe-se apenas uma, que contará com espaço suficiente para crescer e atingir tamanho, formato, coloração e sabor da melhor qualidade.

Objetivo é garantir produção seguinte

O raleio é importante para evitar o excesso de produção, que prejudica a safra seguinte, uma vez que a planta gastou muita energia.

Sálvio Rodrigues Proença possui uma área de 50 hectares, em São Joaquim, onde produziu duas mil toneladas em 2006. Neste ano, a expectativa é de que o número seja igual. O raleio químico no seu pomar foi feito no último dia 17, com quatro tratores.

O raleio manual começa hoje e para isso, serão contratadas 60 pessoas temporariamente.

- Só não trabalha quem não quer, pois tem emprego para todos.

 
Fonte: Diario Catarinense
         
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
         
Inverno doce
na Serra

O Inverno é especial não apenas para o turismo na região mais
fria do Brasil. A fruticultura de clima temperado, cada vez mais
lucrativa na Serra Catarinense, também depende dos dias
gelados para prosperar. Em 2007, essa necessidade está sendo
atendida, e a esperança é de uma safra com bons e belos frutos.
A região de São Joaquim, na qual estão incluídos os municípios
de Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Rio Rufino, Urubici e
Urupema, dedica-se intensamente ao cultivo de frutas como
ameixa, goiaba serrana, maçã, pêra, pêssego e, mais
recentemente, uvas viníferas.
Essas espécies precisam de uma determinada quantidade de
horas de frio - soma das temperaturas abaixo
de 7,2 ºC - para desenvolver-se.
No caso da maçã, responsável por 70% da economia da região,
a exigência é de no mínimo 500 horas para a variedade gala (40%
da produção) e
700 horas para a fuji (57% da produção).
Até o último dia 21, a Estação Experimental da Epagri havia
registrado 773 horas, mais que o suficiente para todas as
espécies. A média histórica é de 930 horas, e a previsão é de
que o Inverno deste ano termine com até 1 mil horas.
O gerente regional da empresa, engenheiro agrônomo Názaro
Vieira Lima, alerta, porém, que este não
é o único fator que conta.
- Agora, o vegetal está em dormência. Se houver uma série de
cinco a 10 dias consecutivos com temperatura média acima de
13 ºC, a planta começa a se manifestar. A partir do momento que
aquece, a brotação inicia, e não pode
mais haver frio intenso.
No ano passado, quem cultivou frutas de caroço, como ameixa e
pêssego, perdeu tudo com a geada tardia, em novembro. A forte
geada ocorrida durante três dias consecutivos dizimou
plantações de ameixa e pêssego na região de São Joaquim. A
maçã não foi tão atingida, mas também sofreu as conseqüências
do fenômeno tardio.
Os prejuízos foram isolados, e não chegaram a comprometer a
produção geral, mas em algumas propriedades, as perdas foram
de até 40%. Os 60% restantes perderam qualidade, já que a fruta
queimou e ficou deformada.

Maçã se encontra no período de dormência

A maçã está no período de dormência, iniciado com as primeiras
quedas de temperatura, entre o fim do Outono e o início do
Inverno. Durante esta fase, a planta alimenta-se, através das
folhas, da solução do solo (nutrientes) misturada com a água, e
gasta a energia produzida ao longo da Primavera, Verão e
Outono.
Em seguida, ocorre a brotação, cujo início, este ano, está
previsto para 10 de setembro. Dez dias depois, começa o
processo de afloração, que se estenderá por
aproximadamente três semanas.
Neste período, quanto menor a quantidade de chuva e frio,
maior a garantia de que as flores gerarão frutos, que serão
colhidos entre o fim de janeiro e o fim de abril.
Caso contrário, havendo a combinação destes dois fenômenos
durante toda a florada, as abelhas não trabalham, não fazem a
polinização, e os frutos não vingam.

Elaborado por: Eng. Agr. Daniel Alfredo Pérsico.

 
A maçã da China preocupa ao fruticultor brasileiro?

Conforme informações dadas pelo departamento de
agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a FAO, para este
ano a China vai colher 24,1 toneladas e 24,7 para o ano de
2008. Um crescimento anual de 3%. Mais seus avanços
tecnológicos e comerciais são grandes, tanto que as
exportações estão crescendo em valores acima de 20%
a cada ano.
O que a China exporta? 60% Fuji, 10% Red Delicious, 3%
Gala e restantes variedades de pouco futuro comercial.
Aonde a China exporta? 60% aos países sul-asiáticos, 20%
a Rússia e 5% a Holanda.
Para os produtores da Região de São Joaquim, esta situação
pode ser preocupante na medida que nossos mercados
continuem desorganizado como está na atualidade.
Necessitamos uma melhor distribuição dos "lucros", tem
quem ganha muito outros nada; o consumo do mercado
interno não aumenta porque os preços ao consumidor são
altos e absurdos. O dia que consigamos equilibrar essa
seqüência comercial, se entrar a Fuji da China, não deve
gerar grandes preocupações. Mais preocupante é para as
regiões onde prevalece a produção de Gala. A Gala e seus
clones é a mais plantada em todo mundo, exige muita
competitividade, a oferta vai aumentando ano a ano e
historicamente o preço internacional vai caindo u$s 0,50 por
caixa.

Fonte: Diário Rionegro - Rural - 25/08/2007
Elaborado: Eng. Agr. Daniel Alfredo Pérsico